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A importância do mapeamento no Doppler venoso superficial dos membros inferiores para o tratamento das varizes

*Dra. Eglina Filgueiras Porcari, membro da SBACV, ecografista da rede D’Or e do Hospital Federal do Andaraí/MS

O Eco Doppler colorido e o método de escolha “Padrão Ouro” para o estudo da anatomia e fisiologia das veias por causa de sua acurácia, reprodutibilidade e natureza não invasiva.*(1-2) Podendo ser repetido quantas vezes for necessário sem prejuízos ou riscos aos pacientes.

O mapeamento venoso no DUPLEX é utilizado na investigação da doença venosa, por ser sensível, específico e fornecedor de dados anatomofuncionais; facilitando na definição do melhor tratamento e técnica a ser utilizada devido às informações valiosas existentes.

A pesquisa de refluxo nas veias profundas e o estudo das veias superficiais devem ser realizados com o paciente em posição ortostática, com rotação lateral da extremidade e discreta flexão do joelho.

O transdutor linear é o indicado para avaliação dos diâmetros, refluxos e alterações anatômicas e deve ser utilizado nas posições longitudinal e transversal.

“O teste do refluxo em pacientes na posição supina deve ser evitado, devendo ser realizado somente na posição ortostática“. Labropoulos et al 2003*(3)

As limitações mais frequentes da ecografia vascular, no estudo das varizes dos membros inferiores, estão associadas a causas ortopédicas e à idade avançada, devido à dificuldade de permanência por longo período em posição ortostática.

Materiais utilizados para realizar o procedimento:*(5)

  • Sonda de alta frequência de 5 a 8 MHz; linear ou microconvexa para explorar veias profundas e musculares dos membros inferiores.
  • Sonda linear de frequência muito alta de 7,5 a 13 MHz para explorar as veias superficiais dos membros inferiores.
  • Escada de flebologia para exploração das redes venosas profundas e superficiais na posição de pé.
  • Mapa cartográfico com desenho esquemático dos membros inferiores.
  • Canetas coloridas para melhor ilustração da patologia venosa.
  • Já existem programas de computação que permitem o mapeamento, porém o mais utilizado ainda é o manual.

Assim, com essas informações, pode se utilizar o mapeamento para diversas situações:

  1. Indicação e programação do endolaser através da medição da distância da epigástrica da junção safenofemoral;
  2. Indicação e programação do tratamento cirúrgico convencional através da quantidade de tributárias que serão retiradas com flebectomia e ou safenectomia convencional inclusive suas perfurantes;
  3. Programação do tratamento escleroterápico com CLACS e ou espuma densa, de acordo com calibre e quantidade de tributárias varicosas;
  4. Indicação de drenagem das fleboescleroses após o tratamento com espuma densa;
  5. Acompanhamento de possíveis recanalizações da esclerose de tributárias em pacientes tratados com espuma e ou laser.

Assim, acredito que o mapeamento nesses moldes é tão importante ou mais que o registro fotográfico antes de qualquer procedimento de varizes nos membros inferiores, já que é um registro funcional e quantitativo das varizes, que muitas vezes não são visíveis por fotos ou dispositivos de realidade virtual.

REFERÊNCIAS:

  1. World J. SURG. 2002; 26(12): 1507-11
  2. J. VASC, SURG. 1998; 28(5): 767-76
  3. J. VASC. SURG. 2003; 38(4): 793 – 98
  4. Guia prático de ultrassonografia vascular. 2011
  5. Eco DOPPLER Vascular. 2018
  6. Avaliação do refluxo venoso superficial ao mapeamento dúplex em portadores de varizes primárias de membros inferiores: correlação com a gravidade clínica da classificação CEAP – J. Vasc Bras. 2009; 8(1): 14-20.

 

 

 

   

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Cartografia 1: Exemplificada com a marcação dos MMII no paciente (D.F.G. – 59 anos)

 

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Cartografia 2: Refluxo na extensão de ambas as coxas, drenando para tributárias no terço proximal da perna.

 

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Cartografia 3: MIE- Safena magna ausente no compartimento safênico, apresenta varizes anárquicas no compartimento safênico no segmento proximal e médio da coxa. Safena parva com refluxo em sua extensão. / MID- Safena magna no compartimento safênico sem alterações patológicas e varicosidade difusa pelo membro. Apresenta veias perfurantes insuficientes destacadas no mapa.

 

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Cartografia 4: Apresentação simples: MIE – Refluxo na safena magna e safena parva apresentando tromboflebite com recanalização parcial. / MID – Safena magna suficiente sem alterações patológicas e safena parva com tromboflebite em sua extensão sem sinais de recanalização.

 

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Cartografia 5: MIE – Apresenta veia epigástrica preservada no pós tratamento de safena magna com endolaser (conforme relato do médico assistente). / MID – Apresenta o pós tratamento ambulatorial com espuma (conforme relato do médico assistente), a safena magna ocluida e com sinais de recanalização em alguns trechos, demonstrado também as varicosidades ocluidas para serem avaliadas a necessidade ou não de drenagem.