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A posição do paciente na ecografia venosa abdominal

Clovis Bordini Racy Filho1, Dr. Ivanésio Merlo2,
Dra. Cristina Ribeiro Riguetti-Pinto3.
1 – Autor. Ecografista Vascular SBACV-RJ. Clínica Clovis Bordini – Ecografia Vascular
2 – Coautor. Titular da SBACV/Titular do CBC/Diretor da Clínica do Aparelho Circulatório do Rio de Janeiro.
3 – Coautora. Riguetti-Pinto C.R. Profa. Assistente da FCM-UERJ, Coordenadora do Endocurso-RJ, Médica Cirurgiã Vascular da Vascularis, Mestre em Cirurgia Vascular UFRJ, Membro Titular da SBACV, Título de Especialista em Cirurgia Vascular SBACV, Área de Atuação em Angioradiologia e Cirurgia Endovascular pela SBACV.

É inegável a importância de se realizar o exame ecográfico venoso dos membros inferiores com o paciente em ortostatismo, principalmente para o mapeamento do sistema superficial.

Entretanto, pela ausência do hábito e pela própria dificuldade técnica, a avaliação ecográfica venosa abdominal é quase sempre realizada com o paciente em decúbito dorsal.

Há anos já sigo o protocolo de, para afirmar a positividade para as síndromes de May Thurner e Quebra-Nozes, examinar o paciente inicialmente em decúbito e posteriormente sentado recostado, caso haja a suspeita à avaliação na primeira posição. Quando mantidos os achados, afirmo a positividade, quando não, relato as modificações.

As alterações de diâmetro e hemodinâmicas nas veias abdominais são muitas vezes significativas com a alteração da posição, talvez justificando o elevado número de falso-positivos em exames tomográficos e ecográficos realizados apenas em decúbito dorsal.

A seguir, imagens de alguns exames realizados num mesmo momento e nas duas posições para reflexão sobre estas avaliações.

Exame 1 – Variação de diâmetro da veia ilíaca comum esquerda com alteração de posição:

 

Exame 2 – Variações de diâmetro e hemodinâmica das veias ilíacas esquerdas com alteração de posição: o fluxo da veia ilíaca externa segue predominantemente e de forma retrógrada pela veia hipogástrica proximal, sendo de difícil detecção espontânea na veia ilíaca comum de calibre reduzido ao nível do cruzamento em decúbito dorsal. Com a paciente sentada recostada, passa a seguir pela veia ilíaca comum, que tem incremento significativo do calibre, e a veia hipogástrica passa a apresentar fluxo anterógrado de menor intensidade.

 

 

 

Exame 3 – Variação hemodinâmica no eixo renal-gonadal esquerdo com alteração de posição em caso de varizes pélvicas: a drenagem da veia renal se dá predominantemente por ramo paravertebral comunicante com a veia lombar ascendente em decúbito dorsal e a veia gonadal apresenta fluxo retrógrado, mas discreto. Com a paciente sentada recostada, o fluxo da veia renal se restabelece por seu trajeto habitual, não se percebendo mais o escape pelo ramo paravertebral. A veia gonadal tem seu fluxo retrógrado claramente aumentado, “alimentando” as varizes em plexo parauterino esquerdo. Estas apresentam fluxo retrógrado (refluxo) espontâneo e que é intensificado durante Valsalva.