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Dissecção de placa carotídea em paciente sintomática

Adriana Rodrigues Vasconcelos¹; Sergio Silveira Leal de Meirelles²
1 – Especialista em Angiologia (SBACV/ AMB) e Membro Efetivo da SBACV;
2 – Especialista em Cirurgia Vascular; Membro Titular da SBACV e Staff do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Federal
dos Servidores do Estado.

Paciente MGL, 76 anos, feminina, submetida a investigação diagnóstica de ataque isquêmico transitório com paresia braquial esquerda, realizou Ecocolordoppler, ainda na emergência, que evidenciou placa ateromatosa em carótida interna direita determinando estenose maior que 80%. Encaminhada para cirurgião vascular que solicitou novo Ecocolordoppler, no qual foi possível observar dissecção da placa na artéria carótida interna direita.

A doença cerebrovascular extracraniana engloba várias desordens que afetam as artérias que irrigam o cérebro, sendo uma importante causa de AVC e AIT. A principal condição patológica responsável pela doença carotídea extracraniana é a aterosclerose, responsável por cerca de 90% dessas lesões nos países ocidentais.

Outras condições responsáveis por infartos cerebrais também necessitam de exames de imagem para sua confirmação, como a dissecção arterial, a displasia fibromuscular, os acotovelamentos, os aneurismas extracranianos e as estenoses por compressão de massas cervicais ou após radioterapia. Principalmente, tratando-se de dissecções arteriais, devemos ressaltar o aumento de sua incidência por melhores métodos diagnósticos e o valor do diagnóstico precoce na evolução do paciente.

A doença aterosclerótica carotídea é mais frequentemente encontrada na área próxima à sua bifurcação e na porção inicial da artéria carótida interna (ACI). Placas carotídeas são encontradas em aproximadamente 40% dos infartos cerebrais e podem provocar infartos por diferentes mecanismos: a) causando estenose grave ou oclusão da luz; b) embolia arterial a partir da ruptura de uma placa ou ulceração; c) hemorragia intraplaca pode ocorrer com oclusão ou embolia arterial. A detecção dessas alterações pode indicar a causa do infarto cerebral e sua correta prevenção secundária. Atualmente, várias técnicas de diagnóstico por imagem das doenças Vasculares carotídea e vertebral estão disponíveis em grandes centros, podendo ser divididas em não-invasivas (nas quais não é necessário injeção de meio de contraste), relativamente não-invasivas (há meio de contraste injetado intravenoso) e invasivas (meio de contraste injetado intra-arterial). O risco aumenta progressivamente do método nãoinvasivo para o invasivo.

As indicações do US dúplex são: a) avaliação de pacientes com ataques isquêmicos transitórios ou infartos em território carotídeo; b) avaliação de sopro carotídeo sintomático ou assintomático; c) acompanhamento de pacientes submetidos à endarterectomia ou à colocação de stent; d) avaliação da progressão da placa ou estenose; e) avaliação pré-operatória de pacientes coronarianos com risco de doença carotídea; f) avaliação de massa pulsátil cervical ou do envolvimento carotídeo por neoplasias de cabeça e pescoço.

Nas dissecções arteriais, a Ecografia Vascular revela duplo lúmen e, raramente, é possível documentar o movimento de bater de asas da íntima descolada (flapping). Não é um exame de alta sensibilidade para essa ocorrência, mas o fato de não ser invasivo e de fácil realização pode poupar-nos da realização de Angiografia.

O US Doppler colorido apresenta a direção do fluxo por diferentes cores, e a intensidade do fluxo pela intensidade do brilho. Ele é diretamente superposto ao US modo B. Esse exame permite rápida interpretação pelo examinador, reduzindo o tempo de exame. Além disso, o ecodoppler colorido permite a identificação de estenoses bastante intensas e auxilia na avaliação de artérias não-paralelas à superfície da pele.

O resultado detectado pelo Ecocolordoppler na paciente em questão foi a presença de duplo lúmen com padrão de fluxo bidirecional, em região onde observa-se placa grave intensamente calcificada.

Bibliografia:
L JÚNIOR, R Cavalcanti – 2016 – extranet.hgf.ce.gov.br
Rev. Bras. Cardiol. Invasiva vol.16 no.3 São Paulo 2008
Rev. Neurociências 9(2): 77-83, 2001