SBACV-RJ

Artigos

O papel do eco Doppler na avaliação diagnóstica e condução do tratamento em quadros de malformação vascular

Autores: Gina Mancini de Almeida* e Camila Mancini de Almeida**
*Angiologia e Ecografia Vascular, Membro Titular da SBACV-RJ
**Cirurgia Vascular e Ecografia Vascular, Membro Efetivo da SBACV-RJ

 

O nosso objetivo é mostrar a importância da ecografia vascular ser executada por especialistas da área e bem preparados, e como isso pode fazer uma grande diferença tanto no diagnóstico de malformações vasculares, quanto na condução do caso, tratamento e resultados.

Trata-se de uma criança que foi trazida ao nosso serviço com 1 mês de idade, apresentando desde o nascimento, lesão volumosa em face póstero lateral da coxa direita e diagnóstico prévio de hemangioma realizado por ultrassonografia na maternidade.

No exame clínico observamos as seguintes lesões:

Lesão endurada, consistência esponjosa, calor local, indolor (Imagens 1, 2 e 3).

Imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

O estudo com Doppler e mapeamento colorido realizado em nosso serviço mostrou fluxo de baixa resistência em artéria femoral comum (Imagem 4), um conglomerado vascular e a presença de lagos venosos (Imagem 5), além de vasos arteriais tortuosos com fluxo de baixa resistência e alta velocidade (Imagem 6) conforme fotos a seguir.

Imagem 4

Imagem 5

Imagem 6

Imagem 7

Imagem 8

Imagem 9

Observou-se ainda ectasia da veia femoral comum e da veia safena interna proximal (Imagens 7, 8 e 9) embora apresentassem fluxo fásico sem alterações significativas de velocidade.

Não obtivemos sinais de massa circunscrita – sólida – próprios do hemangioma congênito, mas sim lesões difusas e infiltrantes em subcutâneo com fluxo predominantemente arterial provenientes de ramos oriundos da artéria femoral profunda.

Não foi detectado no momento do exame trombos, flebólitos ou malformações linfáticas (cistos).

Diante desta história clínica e dos dados obtidos no US Doppler, classificamos a lesão como malformação vascular arteriovenosa complexa e não um hemangioma.

A paciente foi encaminhada para tratamento em hospital de referência onde recebeu o diagnóstico final, após biópsia, de hemangioendotelioma kaposiforme. Foi iniciado o tratamento com imunossupressor (sirolimus) e controle seriado dos níveis de plaqueta e fibrinogênio pesquisando possível Síndrome de Kassabath- Merrit (trombocitopenia severa e coagulopatia de consumo). O tratamento apresentou bons resultados e, em recente avaliação após 18 meses do primeiro exame, esta foi novamente submetida ao eco Doppler que mostrou a permanência de lagos venosos confluentes e ramos arteriais intramusculares com fluxo bifásico agora de baixas velocidades (Imagens 11, 12 e 13). Mantida a ectasia da veia femoral comum e junção safeno femoral, sem alterações significativas de fluxo (Imagens 14 e 15).  Observou-se ao exame físico a redução acentuada do volume da lesão e a presença de tecido fibro adiposo cicatricial no local da lesão (Imagem 10).

A seguir mostramos as imagens da paciente e do exame realizado.

Imagem 10

 

Imagem 11

Imagem 12

Imagem 13

Imagem 14

Imagem 15

Finalmente, gostaríamos de enfatizar a necessidade de um diagnóstico adequado para que o paciente possa obter o melhor resultado no tratamento estabelecido.