SBACV-RJ

Artigos

Oportunidades no Encontro do Consórcio Internacional de Registro Vascular

*Dr. Paulo Eduardo Ocke Reis, MD, PhD, Professor Adjunto de Cirurgia Vascular da Universidade Federal Fluminense, Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
*Dr. Jack L. Cronenwett, MD, Professor de Cirurgia do Centro Médico Dartmouth-Hitchcock Lebanon, New Hampshire
Opportunities in the International Consortium of Vascular Registries (1)

Depois de participar de reunião do ICVR (International Consortium of Vascular Registries) em 2018, fiquei estimulado em propor iniciarmos um registro dos nossos resultados, através da SBACV Nacional. Pode ser desafiador iniciar um registro nacional, mas as lições dos países da ICVR sugerem que podemos começar com uma coleta limitada de dados para 1-2 tipos de tratamentos e expandirmos gradualmente. Segue na íntegra, abaixo, a publicação realizada em Editorial do Journal of Vascular and Endovascular Therapy , open access, em 2018 , com a devida autorização para essa republicação. O Dr. Jack L. Cronenwett, além de ser um dos coordenadores do ICVR, é editor do Rutherford’s Vascular Surgery.

PALAVRAS-CHAVE

Cirurgia vascular, pesquisa em saúde, bancos de dados, melhoria da qualidade, modelo para melhoria, gestão da qualidade total, liderança

EDITORIAL

Para cirurgiões vasculares, é difícil reconhecer padrões associados a resultados negativos, devido à infrequência com que ocorrem, mesmo em uma clínica com grande movimento. Isso torna a melhoria da qualidade difícil e sugere uma necessidade de registros colaborativos que possam analisar milhares de pacientes e discernir as melhores técnicas. Hertzer et al foi o primeiro a demonstrar a possibilidade de um registro vascular nacional, em 1979, e enfatizou que devemos medir nosso desempenho para melhora-lo1. Desde então, até 1990, vários registros vasculares europeus foram criados e organizados na VASCUNET, uma colaboração de registros sob a guia da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular e Endovascular, em 19972. Em 2002, o primeiro registro vascular dos Estados Unidos para melhoria de qualidade foi criado na Nova Inglaterra³, mais tarde se tornando a Vascular Quality Initiative (VQI) da Sociedade de Cirurgia Vascular, em 20114.

Beneficiando-se desse histórico rico, o Consórcio Internacional de Registros Vasculares (ICVR, em inglês) foi criado, em uma colaboração global de 13 registros nacionais da VASCUNET e do VQI5, com apoio de infraestrutura pela Medical Device Epidemiology Network (MDEpiNet)6, uma parceria público-privada americana, patrocinada pelo FDA (Food and Drug Administration) para promover o uso de evidências reais como dispositivo de avaliação médica. O ICVR busca melhorar a qualidade do cuidado vascular ao compartilhar informações entre muitos países, analisando e reportando variações em tipos de tratamentos, seleção de pacientes e desempenho de equipamentos. A ICVR se encontra, a cada dois anos, com representantes da Austrália, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha, Suécia, Dinamarca, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Projetos recentes analisaram 30.000 procedimentos de AAA e 60.000 procedimentos de carótida, que mostraram uma variação considerável em tipos de tratamento e seleção de pacientes por país, revelando uma oportunidade de alcançar um cuidado vascular mais uniforme7,8. Projetos atuais estão focando no resultado e na avaliação do equipamento.

Após participar do encontro mais recente da ICVR, em Nova Iorque, me senti motivado a iniciar um registro de melhoria de qualidade no Brasil, e espero que outros países sul-americanos sigam o exemplo. Pode ser desafiador começar um registro nacional, mas o exemplo dos países da ICVR sugere começar com uma coleta de dados limitada, de 1 a 2 tratamentos, e expandir gradualmente. Cirurgiões estão muito interessados em registrar relatórios anônimos que comparem seus resultados com os de outros, já que querem ver o quanto e como podem melhorar. Espero iniciar essa ideia em vários centros em 2019 e peço que todos os cirurgiões interessados entrem em contato comigo.

TITLE

Opportunities in the International Consortium of Vascular Registries Meeting

KEYWORDS

Vascular surgery, healthcare research, databases, quality improvement, model for improvement, total quality management, leadership

EDITORIAL

It is difficult for vascular surgeons to recognize patterns associated with bad outcomes because they occur infrequently even in a busy practice.  This makes quality improvement difficult and suggests the need for collaborative registries that can analyze thousands of patients to discern and incent best practices.  Hertzer and colleagues first demonstrated the feasibility of a regional vascular registry in 1979 and emphasized that we must measure our performance in order to improve it.1  By the 1990’s, several European vascular registries were established and were organized as the VASCUNET collaboration of registries under the European Society of Vascular and Endovascular Surgery in 1997.2  In 2002, the first US regional vascular quality improvement registry was started in New England3, and this expanded to become the Vascular Quality Initiative (VQI) of the Society for Vascular Surgery in 2011.4

Benefiting from this rich background, the International Consortium of Vascular Registries (ICVR) was organized as a global collaboration of 13 national registries from VASCUNET and VQI.5  It has infrastructure support from the Medical Device Epidemiology Network (MDEpiNet)6, a US based public private partnership sponsored by the FDA to promote the use of real-world evidence for medical device evaluation.  The ICVR aims to improve the quality of vascular care by exchanging information among many countries by analyzing and reporting on variation in treatment type, patient selection and device performance. ICVR meets biannually with representatives from Australia, Denmark, Finland, France, Germany, Hungary, Iceland, Japan, Netherlands, New Zealand, Spain, Sweden, Switzerland, United Kingdom and United States.  Recent projects analyzing > 30,000 AAA and 60,000 carotid procedures showed substantial variation in treatment type and patient selection by country, with opportunity to reach more uniform care.7,8 Current projects are focusing on outcome and device evaluation.

After attending the recent ICVR meeting in New York City, I am motivated to initiate a quality improvement registry in Brazil, and hope that other South American countries will follow.  It can be challenging to start a national registry, but lessons from ICVR countries suggest that we start with limited data collection for 1-2 treatment types and expand this gradually.  Surgeons are keenly interested in benchmark reports that anonymously compare their results with others, since all want to see what and how they can improve.  It is my hope to launch this in several Brazilian centers in 2019 and invite all interested surgeons to contact me.

REFERENCES

1- Plecha FR, Avellone JC, Beven EG, DePalma RG, Hertzer NR.  A computerized vascular registry: experience of the Cleveland Vascular Society. Surgery 1979: 86(6):826–835

2- Vascunet Collaboration, Mitchell D, Venermo M, Mani K, Bjorck M et al. Quality Improvement in Vascular Surgery: The Role of Comparative Audit and Vascunet.  Eur J Vasc Endovasc Surg. 2015 Jan;49(1):1-3.

M. Venermo A. Sedrakyan J. Cronenwett. International Consortium of Vascular Registries. Gefässchirurgie https://doi.org/10.1007/s00772-018-0475-8.

3- Cronenwett JL, Likosky DS, Russell MT, et al. A regional registry for quality assurance and improvement: the Vascular Study Group of Northern New England (VSGNNE). J Vasc Surg. 2007 Dec;46(6):1093-1101.

4-Cronenwett JL, Kraiss LW, Cambria RP (2012) The Society for Vascular Surgery Vascular Quality Initiative. J Vasc Surg 55:1529–1537

5- Sedrakyan A, Cronenwett JL, Venermo M, Kraiss L, Marinac-Dabic D, Björck M. An International Vascular Registry Infrastructure for Medical Device Evaluation and Surveillance.  J Vasc Surg. 2017 Apr;65(4):1220-1222.

6- Krucoff MW, Sedrakyan A, Normand SL. Bridging unmet medical device ecosystem needs with strategically coordinated registries networks. JAMA 2015: 314:1691–1692.

7- Beck AW, Sedrakyan A, Mao J, et al. International Consortium of Vascular Registries. Variations in Abdominal Aortic Aneurysm Care: A Report From the International Consortium of Vascular Registries. Circulation. 2016 Dec 13;134(24):1948-1958.

8- Venermo M, Wang G, Sedrakyan A, et al.  Editor’s Choice – Carotid Stenosis Treatment: Variation in International Practice Patterns. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2017 Apr;53(4):511-519