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Papel da ecografia vascular nas tromboses ilíaco-femorais

Felipe Coelho Neto
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV); Presidente da atual gestão SBACV-DF;
Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV; Título de Especialista em Ecografia Vascular pela SBACV.
Anna Paula Sincos
Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV; Título de Especialista em Ecografia Vascular pela SBACV;
Título de Especialista em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela SBACV; Membro da Sociedade Brasileira
de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
Igor Rafael Sincos
Doutorado em Técnica Cirúrgica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, SP; Título de Especialista
em Cirurgia Vascular pela SBACV; Título de Especialista em Ecografia Vascular pela SBACV; Título de Especilaista
em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela SBACV.

Paciente do sexo feminino, 40 anos,
designer gráfica.

História da moléstia atual:
Há 12 anos, evento de trombose venosa profunda (TVP), tratada por 18 meses com Cumarina e drenagem linfática, com boa evolução. Desde então, sem acompanhamento médico adequado. Sua profissão exige que ela fique muito tempo em posição sentada. Nos últimos dois meses, refere grande desconforto na perna esquerda apesar de não apresentar edema. Relata que houve melhora após uso de medicação flebotônica.

Antecedentes pessoais:
– Foi realizada pesquisa de trombofilia,
à época negativa.
– Realiza atividade física regularmente.
– Em uso regular de flebotônico.

Antecedentes familiares:
– Familiares com histórico de doença cardiovascular.
– Sem história de trombose venosa na família.

Exame físico:
– Diferença de 1 cm em coxa, perna e tornozelo (MIE>MID).

– Varizes reticulares em coxas e pernas (pior à esquerda).
– Dermatite ocre incipiente na perna esquerda.
– Pulsos cheios e simétricos bilateralmente.

Hipótese diagnóstica:
– Síndrome pós-trombótica MIE.
– Varizes secundárias à esquerda.

Conduta:
A paciente, apesar do diagnóstico de trombose venosa profunda (TVP) ilíaco-femoral à esquerda, não foi submetida à avaliação por imagem dos vasos ilíacos e veia cava inferior. À época do diagnóstico, foi afastada a hipótese de trombofilia e o quadro de TVP foi considerado como de causa indefinida.

Após avaliação clínica detalhada, a paciente foi submetida a Ecocolor-Doppler de veia cava e veias ilíacas. No exame a veia cava apresentava-se pérvia e com fluxo característico ao modo espectral, bem como a veia ilíaca comum direita. Foi possível identificar trabéculas luminais em veia ilíaca comum esquerda; e no ponto de cruzamento da veia ilíaca comum esquerda com a artéria ilíaca interna esquerda, observou-se imagem que sugere compressão da veia pela artéria. O calibre da veia ilíaca comum esquerda apresentava-se diminuído em relação à veia contralateral, ratificando os achados das trabéculas luminais, compatível com síndrome pós-trombótica (recanalização parcial).

O tratamento inicial proposto consiste em medidas clínicas: meias elásticas, flebotônicos, drenagem postural, atividade física e prevenção de longos períodos em ortostase.

Nos casos sem melhora expressiva dos sintomas, procede-se a avaliação com exames complementares de imagem (angiotomografia/angiorressonância) para ratificação dos achados ultrassonográficos e avaliação da gravidade da compressão, bem como auxiliar na decisão terapêutica.

O Ecocolor-Doppler consolida-se como ferramenta indispensável na investigação dos casos de trombose venosa profunda, notadamente com extensão para veias ilíacas. O Cirurgião Vascular deve estar atento para o diagnóstico da síndrome compressiva das veias ilíacas como causa primária de TVP, assim como causa de varizes atípicas assimétricas de membros inferiores ou sintomas exuberantes unilaterais de membro inferior sem varizes aparentes.


Calibre VICD / Calibre VICE

Compressão VICE pela AIIE 1 / Compressão VICE pela AIIE 2

Compressão VICE pela AIIE trabéculas 2 / Compressão VICE pela AIIE trabéculas 3
Compressão VICE pela AIIE trabéculas