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Planejamento e padronização do tratamento das telangiectasias complexas

*Dr. Daniel Autran Burlier Drummond1, Dr. Leonardo Stambowsky1.
Cirurgião Vascular – Especialista em Cirurgia Vascular, Cirurgia Endovascular e Radiologia Intervencionista pela SBACV-AMB
Polo Vascular – RJ

Paciente M.D.D.C, sexo feminino, 63 anos, branca, hipertensa, com resistência insulínica, hipotireoidea, ex-tabagista e quadro de doença venosa crônica (DVC) dos membros inferiores de longa data. Apresenta dor em peso vespertina frequente, queixas bilaterais simétricas, negando edema.

Nega tratamentos prévios para DVC, possui história familiar com grande influência materna e paterna. Procurou atendimento com queixas clínicas e estéticas relacionadas a DVC com desejo de não realizar procedimento cirúrgicos.

Foi realizada assim documentação fotográfica pré-procedimento:


Planejamento de tratamento com realidade aumentada (VeinViewer) identifica veias reticulares nutrícias craniais e caudais a lesão

 

Imagens do autor

Identificação de veias reticulares nutrícias

Realizado ecoDoppler venoso da região não sendo identificada conexão direta com sistema venoso profundo ou safena parva. Optado assim pelo tratamento combinado com Laser Transdérmico Nd Yag 1064 Etherea (Vydence) pela técnica CLaCS, com spot size 6mm, parâmetros de Tempo 15ms, Fluência 70J/cm2 associada à escleroterapia com glicose hipertônica e uso de resfriador de pele Siberian (Vidence).

Efetuados 168 disparos de laser em telangiectasias e veias reticulares com 2 a 3 passadas, seguido de escleroterapia nestes locais com glicose hipertônica 75% administrada com agulha 27g1/2 Terumo e Seringa de 3ml BD.

Com os resultados em sessão única e retorno após 1 mês:

Discussão:

O tratamento das telangiectasias complexas tradicionalmente é realizado com bons resultados através da cirurgia de ressecção de colaterais e reticulares com auxílio de agulha de croché sob anestesia local, regional e posterior escleroterapia das telangiectasias.

Diversas terapias, com propostas minimamente ou não invasivas, foram utilizadas últimos 20 anos, como eletrocoagulação, luz intensa pulsada e laser de diferentes comprimentos de onda, sendo destacado o Neodimio Yag 1064. Atualmente, tratamentos combinados deste com a esclerose líquida vêm ganhando espaço com excelentes resultados e necessidade de poucas sessões para a resolução dos casos, no entanto ainda necessitando de maior respaldo científico para demonstrar superioridade.

Apesar de patologia de grande prevalência, a doença venosa crônica não apresenta estudos de grande impacto na comparação de técnicas e protocolos na atuação em telangiectasias complexas, sendo priorizada a comparação entre os agentes líquidos.

São causas de refratariedade ou de maior chance de recidiva a associação com veias perfurantes e troncos safênicos, apresentando refluxo e em grande parte a presença de reticulares não inicialmente identificadas, devendo ser realizado ecoDoppler para identificar sítios de incompetência valvular (Szendro et al., 1986).

O uso do dispositivo de realidade aumentada no tratamento venoso como sugerido por Kasuo Miyake  em 2006, assim como o auxílio da ecografia vascular, possibilitou melhores resultados no planejamento terapêutico, bem como consequente redução no número de sessões de realizadas.

Buscando uma padronização, criamos uma sequência a fim de não haver segmentos sem  tratamento, ou ainda com possíveis piores consequências, segmentos tratados em duplicidade aumentando a chance de lesões cutâneas por sobreposição de disparo (staking).

A marcação das veias nutrícias, antes do tratamento, é realizada pelo nosso grupo com auxílio de lápis de olho de cor branca em trajeto tangencial às margens como mostrado na foto seguinte:

Imagens do autor

Após a passagem do laser pelos trajetos, estes vão sendo tracejados sequencialmente. A seguir, é realizado então o tratamento das telangiectasias com diferente spot size ou diretamente a escleroterapia.

Conclusão:

Diversas técnicas são recomendadas para o tratamento venoso e se somam como um arsenal terapêutico. Terapias minimamente invasivas vêm ganhando espaço não só com evidências nos periódicos médicos, mas também adesão pelos próprios pacientes que as buscam.

A resolução satisfatória do caso envolveu planejamento adequado, não sendo observada conexão com sistema venoso profundo ou troncos safênicos, sendo posteriormente realizada a escolha da técnica de tratamento.

A padronização na execução do procedimento e a realização de um estudo apropriado das lesões, com exames de ecoDoppler e realidade aumentada, levam a resultados mais reprodutíveis e de maior sucesso.