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Pseudoaneurisma anastomótico em fístula arteriovenosa antiga

Stefan de Oliveira Simões1 e Leonardo de Oliveira Harduim2.
1 – Angiologista e Cirurgião Vascular (SBACV/AMB); Ecografista Vascular (SBACV/CBR/AMB); Membro Efetivo da SBACV e
Diretor da clínica AngioScan DVI (Niterói- RJ)
2 – Cirurgião Vascular na LivCare – Centro Clínico e Membro Efetivo da SBACV

A confecção de uma fístula arteriovenosa (FAV) autóloga para hemodiálise no paciente renal crônico em estágio final é um procedimento frequente e já bem estabelecido na prática do Cirurgião Vascular. Suas complicações mais frequentes são a trombose, pseudoaneurismas, sangramentos, roubo de fluxo, aneurismas, hematomas, infecções e insuficiência cardíaca.

O pseudoaneurisma anastomótico ocorre na quase totalidade dos casos no período de até 30 dias após a confecção da FAV, sendo predominante nas anastomoses com próteses, por ruptura da sutura anastomótica ou erro técnico.

O caso em questão trata de uma paciente do sexo feminino, de 35 anos, em programa de hemodiálise há cerca de 8 anos através do mesmo acesso por fístula arteriovenosa autóloga, confeccionada no membro superior direito, através de anastomose término-lateral da veia cefálica com a artéria braquial ao nível da prega cubital. Por ocasião da avaliação, a paciente queixava-se de aumento progressivo de massa pulsátil situada na face medial do cotovelo, com cerca de 3 semanas de evolução, dolorosa, mas sem sinais inflamatórios. No entanto, a paciente relatou episódio de dor e febre, com calafrios no início do quadro, que ocorreu cerca de 1 dia após sessão de hemodiálise, referindo também que nesta última ocasião a punção foi próxima ao sítio de desenvolvimento da massa.

O estudo ecográfico revelou um volumoso pseudoaneurisma anastomótico medindo 50,9X49,0 mm nos seus maiores diâmetros, com padrão de fluxo “vai-e-vem” característico ao Doppler, observando-se sinal de inversão de fluxo na artéria braquial durante a diástole e fístula ainda patente e de boa qualidade.

A paciente foi submetida à correção cirúrgica do pseudoaneurisma em caráter emergencial em hospital da rede pública, com reposicionamento da veia cefálica em nova anastomose com a artéria braquial, associado a reparo da parede arterial no sítio da anastomose anterior, segundo relato de familiar (esposo).

Até o momento da redação deste relato, ainda não havia retornado para revisão pós-operatória.

 
Imagem 1 – Aspecto da massa na face interna da prega cubital. / Imagem 2 – Aspecto da massa na face interna da prega cubital.
 
Imagem 3 – Pseudoaneurisma com análise em PowerDoppler. / Imagem 4 – Medidas do pseudoaneurisma.
 
Imagem 5 – Relações do pseudoaneurisma com a artéria braquial e a veia cefálica. Observa-se sinal de inversão do fluxo na artéria braquial durante a diástole. / Imagem 6 – Relações do pseudoaneurisma com a artéria braquial e a veia cefálica na sístole.
 
Imagem 7 – Relações do pseudoaneurisma com a artéria braquial e a veia cefálica com recurso ADF. / Imagem 8 – Artéria axilar direita.
 
Imagem 9 – Análise espectral do fluxo na artéria axilar direita. / Imagem 10 – Análise espectral do fluxo na artéria braquial direita.

Imagem 11 – Análise espectral do fluxo na artéria ulnar direita.