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Relato de caso: trombose de veias plantares

Raimundo Senra Barros, Bernardo Barros e Yanna Cristhina Moreira Thomaz.

Introdução:
Paciente do sexo feminino, 64 anos, portadora de fibromialgia, sem outras comorbidades, no 15 dia de pós-operatório de retinopexia. Procurou atendimento médico com quadro de dor importante na região plantar do pé esquerdo que provocava dificuldade de deambulação, iniciado há cerca de 7 dias. Ao exame físico, constatou-se hiperalgia a palpação da região plantar. Ausência de edemas ou empastamento de panturrilhas. Discreta hiperemia da região inframaleolar esquerda.

Foi solicitado eco-Color Doppler venoso dos membros inferiores, o qual demonstrou trombose completa de aspecto subagudo de veias plantares laterais esquerdas. A trombose ascendia ao segmento distal das veias tibiais posteriores, acometendo perfurante inframaleolar, a qual também se apresentou totalmente ocluída por trombose subaguda.

Discussão:
A tromboflebite plantar é uma condição rara, com poucos casos descritos na literatura. Consiste na oclusão destas veias por trombos intraluminais, os quais acometem preferencialmente as veias plantares laterais (96% dos casos). A incidência é maior no sexo feminino, com idade media de 58,2 anos. Todos os pacientes relatam dor de moderada a forte intensidade na planta do pé. Em 27% dos casos, observa-se extensão da trombose para veias da perna. Por este motivo, existe relato na literatura de um caso de embolia pulmonar associado à trombose de veias plantares. Não há relato de óbito.

A trombose de veias plantares está relacionada a cirurgias recentes, condições paraneoplásicas, trombofilias e traumas. As veias plantares estão localizadas em planos profundos do pé, abaixo do arco plantar, sendo vulneráveis a traumas repetitivos durante a deambulação e atividades físicas. Sua drenagem é independente das contrações musculares.

Por se tratar de uma dor atípica, o diagnóstico clínico de trombose de veias plantares é difícil e deve ser diferenciado de outras patologias, tais como fasciíte plantar, bursite intermetatársica, neuroma de Morton, sesamoidite, fratura por estresse, patologia dos tendões, dentre outras.

A ultrassonografia vascular é o principal método para diagnóstico desta patologia, demonstrando ectasia, incompressibilidade, ausência de fluxo e preenchimento da luz das veias com material hipoecogênico. Entretanto, as veias plantares são normalmente negligenciadas durante o exame de rotina para rastreamento de trombose venosa profunda, o que pode explicar a baixa incidência desta patologia.

A ressonância magnética é um exame importante neste contexto quando a suspeita clínica também recair sobre outras patologias da região plantar. A RNM, além de demonstrar a trombose das veias plantares, pode identificar outras causas de dor plantar.

Conclusão:
A trombose de veias plantares deve ser considerada como causa de dor aguda na região plantar, principalmente quando associada aos fatores relacionados à maior incidência de trombose.

Consideramos que o conhecimento desta patologia poderá incluir a avaliação das veias plantares nos exames de rastreamento para trombose venosa profunda.

Bibliografia:
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