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Tratamento da úlcera venosa crônica dos membros inferiores com espuma e bota de Unna: comparação com uso da meia elástica, durante 90 dias

Treatment of chronic venous leg ulcer with foam and Unna´s boot: a comparison with the use of elastic stockings within 90 days.

Autores: Alexandre Funes Bastos1, Luiz Ronaldo Alberti1, PhD.

1Santa Casa de Belo Horizonte – Instituto de Ensino e Pesquisa, Belo Horizonte, MG, Brasil.

O estudo foi realizado no Hospital São José do Avaí (HSJA), Itaperuna, RJ, Brasil

RESUMO

Contexto: A doença venosa crônica (DVC) dos membros inferiores é uma doença que acomete cerca de 40% da população mundial. Desta porcentagem, 60% dos pacientes acometidos são mulheres. Apesar da sua baixa mortalidade, apresenta um impacto socioeconômico negativo enorme aos pacientes que são acometidos pela sua forma mais grave, a úlcera venosa crônica (UVC).

Objetivo: Avaliar os possíveis benefícios da utilização da bota de Unna em pacientes portadores de IVC CEAP 6, submetidos a escleroterapia com espuma eco guiada.

Métodos: 94 pacientes com UVC foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: Bota de Unna (BU) e Sem Bota de Unna (SBU). O primeiro grupo BU, com 47 pacientes, foi submetido ao curativo com BU e o segundo grupo SBU, com 47 pacientes, não utilizou a BU. Ambos receberam o tratamento clínico convencional, escleroterapia eco guiada com espuma e utilizaram terapia compressiva com meia elástica após o procedimento. Foram submetidos à aplicação de dois questionários para avaliação da qualidade de vida e dos sinais e sintomas relacionados ao sistema venoso (Aberdeen Varicose Vein Questionnaire e Venous Clinical Severity Score) no primeiro dia (T0) e 90 dias após (T90) o início do tratamento. A comparação entre os grupos e entre as variáveis categóricas (tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, interferência das varizes no trabalho ou atividades diárias, interferência das varizes nas atividades de lazer, edema e dor) foi feita pelo Teste Qui-Quadrado e quando necessário o Teste de Fisher e simulação de Monte Carlo (MMC).

Resultados: Tanto o escore Aberdeen Varicose Vein Questionnare (AVVQ) quanto o Venous Clinical Severity Score (VCSS) apresentaram melhora significativa 90 dias após o início do tratamento para ambos os grupos (p<0,001). Comparando os grupos quanto aos escores AVVQ e VCSS temos que o escore médio em T90 para o primeiro questionário foi de 62,9 para o grupo SBU e de 57,2 para o grupo BU (0,532), e para o segundo questionário foi de 12,2 para o grupo SBU e 11,1 para o grupo BU (P = 0,419).

Conclusão: A utilização da Bota de Unna demonstrou melhora estatisticamente significativa nas variáveis categóricas de qualidade de vida e de evolução clínica nos pacientes com UVC dos membros inferiores após escleroterapia eco guiada com espuma. O seu uso contribuiu de modo especialmente importante na dor e no edema, chegando a eliminar esses sintomas em 70,2 % e 80,9% respectivamente.

Palavras-chave: Cicatrização. Espuma. Curativo. Bota de Unna.

ABSTRACT

Background: Chronic venous disease (CVD) of the lower limbs affects about 40% of the world population. Of this percentage, 60% of the affected patients are women. Despite its low mortality, it has a huge negative socio-economic impact on patients who are affected by its most severe form, chronic venous ulcer (CVU). Objective: To evaluate the possible benefits of the use of Unna’s boot in patients with CVD CEAP 6, undergoing ultrasound-guided foam sclerotherapy (USGS). Methods: 94 patients with CVU were randomly distributed into two groups: Unna´S boot (BU) and No Unna´S Boot (SBU). The first group (bu) with 47 patients was submitted to dressing with Unna´s boot and the second group (SBU) with 47 patients did not use Unna´s boot. Both GROUPS received USGFS, conventional clinical treatment, and compressive therapy with elastic stocking. Two questionnaires were submitted to assess the quality of life and signs and symptoms related to the venous system (Aberdeen Varicose Vein Questionnaire and Venous Clinical Severity Score) on the first day (T0) and 90 days after (T90) the beginning of THE treatment. The comparison between groups and between categorical variables (duration of the ulcer, ulcer size, interference of varicose veins at work or daily activities, interference of varicose veins in leisure activities, edema, and pain) was made by the Qui-square Test and when necessary the Fisher Test and Monte Carlo simulation (MMC). Results: Both the Aberdeen Varicose Vein Questionnaire score (AVVQ) and the Venous Clinical Severity Score (VCSS) showed significant improvement 90 days after the start of treatment for both groups (p<0.001). Comparing the groups regarding the AVVQ and VCSS scores, the mean score in T90 for the first questionnaire was 62.9 for the SBU group and 57.2 for the BU group (0.532), for the second questionnaire it was 12.2 for the SBU group and 11.1 for the BU group (P = 0.419). Conclusion: The use of Unna´s Boot showed statistically significant improvement in categorical variables of quality of life and clinical evolution in patients with VLU after ultrasound-guided foam sclerotherapy. Its use contributed especially in pain relief and edema, eliminating these symptoms in 70.2% and 80.9% respectively.

Keywords: Healing. Foam. Bandage. Unna boot. 

  1. INTRODUÇÃO

A Doença Venosa Crônica (DVC) dos membros inferiores acomete cerca de 40% da população mundial. Desta porcentagem, 60% dos pacientes acometidos são mulheres2. Denomina-se Insuficiência Venosa Crônica (IVC) a apresentação clínica mais severa da DVC, na qual o paciente apresenta comprometimento funcional como edema, presença de lesões cutâneas como hiperpigmentação, eczema, dermatolipoesclerose, atrofia branca e úlcera, que é responsável por cerca de 1 milhão de dias de trabalho perdidos, por ano, nos Estados Unidos1,2.

Apesar da sua baixa mortalidade, a IVC apresenta um impacto socioeconômico negativo enorme aos pacientes que são acometidos pela sua forma mais grave, a Úlcera Venosa Crônica (UVC)3, cuja prevalência é de 1,0-2,0 % na população geral1,2

Aproximadamente 50% das UVCs reincidem em 10 anos após cicatrizadas, possuindo um componente importante de cronicidade2,4.

A classificação da DVC é feita pela classificação de CEAP (figura 1), apresentada em 1994 para simplificar a comunicação a respeito desta entidade3 e atualizada em 2020. Ela divide os pacientes portadores da doença venosa crônica da seguinte forma: manifestações clínicas (C), fatores etiológicos (E), distribuição anatômica (A) e patofisiologia subjacente (P)4,5.

O paciente portador de UVC dos membros inferiores é classificado como C6 ou C6r, se levarmos em consideração somente a manifestação clínica11. O pilar principal do seu tratamento é a terapia compressiva que, apesar de eficaz na cicatrização da ferida, o tratamento exclusivo com compressão apresenta altas taxas de recidiva, além de ser lento, entediante e caro19.

Apesar de não existir contraindicação para a realização de tratamento cirúrgico convencional nos pacientes portadores de UVC, estes, geralmente, não são submetidos à cirurgia e são encaminhados para ambulatórios de curativo permanecendo durante meses ou anos sob tratamento voltado exclusivamente para a ferida, sem tratar objetivamente a hipertensão venosa crônica (HVC), causa da úlcera6.

Com o advento das técnicas minimamente invasivas para o tratamento da DVC, o entusiasmo para o tratamento do paciente portador de UVC aumentou.

Figura 1- Classificação CEAP de acordo com as manifestações clínicas (C), fatores etiológicos (E), distribuição anatômica (A) e patofisiologia subjacente (P).

Classe C

 

Descrição
C0 Sem sinais de doença venosa visível ou palpável
C1 Telangectasias ou veias reticulares
C2 Varizes
C2r Varizes recorrentes (varizes residuais, recidivadas, progressão da doença venosa após tratamento prévio)
C3 Edema
C4 Alterações na pele e tecido subcutâneo secundárias à DVC
C4a Pigmentação ou eczema
C4b Lipodermatoesclerose ou atrofia branca
C4c Corona flebectásica
C5 Úlcera cicatrizada
C6 Úlcera venosa ativa
C6r Úlcera venosa ativa recorrente
Classe E

 

Descrição
Ep Primária
Es Secundária
Esi Secundária – intravenosa
Ese Secundária – extravenosa
Ec Congênita
En Não identificada causa
Classe A

 

Descrição
As Superficial (TEL, RET, GSVa,GSVb, SSV, AASV, NSV)
Ad Profundo (IVC, CIV, IIV, EIV, PELV, CFV, DFV, FV, POPV, TIBV, PRV, ATV, PTV, MUSV, GAV, SOV)
Classe P

 

Descrição
Pr Refluxo
Po Obstrução
Pr,o Refluxo e obstrução
Pn Nenhuma patofisiologia identificada

Entre as várias técnicas minimamente invasivas disponíveis, podemos citar algumas: ablação mecânica (MOCA), ablação térmica com laser ou com radiofrequência e a ablação química com espuma ecoguiada10 (figura 2).

Figura 2 – Opções terapêuticas para doença venosa crônica dos membros inferiores.

*MOCA- Mechanochemical ablation, **CHIVA- Cure Conservatrice et Hemodynamique de I’linsufficience Veineuse em Ambulatorie, ***ASVAL- Ablação Seletiva de Varizes Ambulatorial sob Anestesia Local

A escleroterapia com espuma ecoguiada é uma das técnicas minimamente invasivas utilizada para o tratamento de varizes dos membros inferiores com eficácia comprovada. Pode ser realizada em regime ambulatorial, sem a necessidade de repouso e, por isso, com baixa abstenção ao trabalho. Trata-se de método seguro, com baixas taxas de complicações, entre elas: reação anafilática, tromboflebite, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, sintomas neurológicos, hematomas e infecção7,6.

A técnica utilizada para realização da escleroterapia com espuma foi apresentada por Tessari em 2001, que recebe seu nome e é utilizada até os dias de hoje.

O estudo ESCHAR30 demonstrou que o tratamento cirúrgico, com a retirada das veias superficiais comprometidas, associada à terapia compressiva, é mais eficaz na prevenção da recidiva da UVC quando comparada à terapia compressiva isolada6. Porém, como vimos anteriormente, a cirurgia, muitas vezes, não é realizada nos pacientes portadores das formas mais graves da DVC, fazendo com que os métodos minimamente invasivos, como a escleroterapia com espuma se torne atrativa para este grupo de pacientes.

Apesar de não haver evidência suficiente da eficácia dos métodos minimamente invasivos, é razoável concluir que a ablação do sistema venoso superficial, alcançada por tais métodos, levará a resultados semelhantes àqueles obtidos pelo estudo ESCHAR6,30.

O objetivo deste trabalho é avaliar os resultados do Questionário de Qualidade de Vida Aberdeen (AVVQ) e do Questionário de evolução clínica (VCSS) nos pacientes portadores de UVC dos membros inferiores, submetidos à escleroterapia com espuma eco guiada que utilizaram bota de Unna, comparando com um grupo que utilizou somente a meia elástica como terapia compressiva adjuvante.

  1. MÉTODO

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte (CAAE: 21318718.8.0000.5138) e foi realizado entre os anos de 2018 e 2019, no serviço de Cirurgia Vascular do Hospital São José do Avaí (HSJA), situado no município de Itaperuna – RJ. A coleta de dados foi autorizada através de Termo de Anuência, expedido pelo chefe do Serviço de Cirurgia Vascular.

Origem do estudo: Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa BH
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde – stricto sensu – Mestrado Acadêmico em Medicina.

Para o cálculo amostral foi utilizado dados de um estudo semelhante de Cengiz O. at al 2018, cujo parâmetro do VCSS está descrito na fórmula (Desvio padrão = 0,96).

Foi considerado um nível de confiança de 95% e uma precisão de 10%.

Foi avaliada a evolução das UVC em relação ao tempo de duração da úlcera e tamanho da úlcera. Avaliamos ainda intensidade da dor, intensidade do edema, interferência das varizes no trabalho doméstico ou atividades diárias e interferência das varizes nas atividades de lazer.

Este trabalho é de natureza aplicada, experimental, quantitativo, randomizado, controlado, longitudinal, prospectivo, em único centro.

Após a avaliação inicial no ambulatório de cirurgia vascular do Hospital São José do Avaí, os pacientes portadores de UVC dos membros inferiores foram encaminhados ao setor responsável pelo procedimento de escleroterapia, onde foram reavaliados e só então incluídos ou excluídos no estudo. Este momento foi denominado de T0.

A divisão dos pacientes foi feita de modo consecutivo e alternado. Os 94 pacientes portadores de IVC, que contemplaram os critérios de inclusão, foram divididos em dois grupos com 47 indivíduos cada, denominados grupo SBU (não utilizaram bota de Unna) e grupo BU (utilizaram bota de Unna) (Figura 3).

Figura 3- Desenho do Estudo

Foram coletadas as seguintes informações: sexo, idade, estado civil, profissão, cirurgias prévias de varizes, HAS, DM, trombofilia, tabagismo.

A amostra do estudo é composta por 94 pacientes, sendo 47 pacientes do grupo SBU e 47 do grupo BU. A tabela 1 apresenta as características da amostra total. Maioria do sexo feminino (61,7%), entre 60 a 80 anos (51,1%), casados (55,3%) e 87,7% atuam profissionalmente.

Os grupos são homogêneos quanto à idade (p=0,928) e sexo (p=0,203), maioria entre 60 e 80 anos e mulheres. Maior proporção de divorciados (as) no grupo SBU (12,8%) e de viúvos (as) no grupo BU (21,3%), p = 0,032.

Uma minoria de 4 pacientes (8,5%) realizou cirurgia prévia em ambos grupos, p =1,000. Proporção semelhante de hipertensão arterial sistêmica (HAS) nos dois grupos, 18 pacientes (36,3%) no grupo SBU e 12 (25,5%) no grupo BU, p = 0,268. Baixa proporção de tabagistas/ex-tabagistas em ambos grupos (14,9%) e sem diferença significativa entre eles, p =1.000. O mesmo ocorreu para tabagismo. Nenhum paciente informou alergia.  Apenas 1 paciente (2,1%) relatou ter Diabetes mellitus (DM) e 1 (2,1%) relatou trombofilia, ambos do grupo BU.

Tabela 1 – Características da amostra total.

Variáveis N %
Sexo    
Masculino 36 38,3
Feminino 58 61,7
Idade    
18 a 38 11 11,7
39 a 59 31 33,0
60 a 80 48 51,1
> 80 4 4,3
Estado Civil    
Solteira(o) 22 23,4
Casada(o) 52 55,3
Divorciada(o) 6 6,4
Viúva(o) 14 14,9
Profissão    
Aposentado (a) 21 22,3
Do lar 17 18,1
Professor (a) 12 12,8
Doméstica 6 6,4
Secretária 4 4,3
Enfermeira (o) 2 2,2
Autônomo 2 2,2
Outras

(sem especialização)

30 32,1

Nota: *carpinteiros, atendentes, pedreiro, segurança, porteiro, motorista, vendedor.

2.1 Critérios

 Critérios de inclusão

Foram incluídos pacientes com idade maior ou igual a 18 anos, portadores de DVC com classificação C6,6rEpAs,pPr com refluxo patológico  comprovado por eco color Doppler venoso superficial dos membros inferiores de quaisquer dos seguintes territórios: veia safena interna, veia safena externa, veia safena acessória anterior, veias perforantes, e veias não safênicas.

Critérios de exclusão

Foram excluídos do estudo, gestantes, pacientes menores de 18 anos de idade, pacientes maiores de 90 anos, portadores de trombose venosa superficial e/ou profunda aguda dos membros inferiores, pacientes com mobilidade reduzida como paréticos, plégicos ou portadores de artropatias avançadas que comprometia sua capacidade para deambular, portadores de patologias sistêmicas descompensadas (ex. diabetes, hipertensão arterial sistêmica, cardiopatia), portadores de forame oval patente sintomático, portadores de asma, portadores de doença arterial periférica dos membros inferiores, alérgicos à medicação utilizada no estudo, pacientes que não toleraram o uso de terapia compressiva ou aqueles que não aceitaram assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

2.2. Informações técnicas

Exame clínico vascular completo e avaliação do eco color Doppler venoso foram realizados, com o objetivo de confirmar a etiologia venosa da lesão, descartar doença arterial periférica dos membros inferiores, varizes secundárias, trombose venosa profunda aguda e tromboflebite aguda. As UVCs foram avaliadas e realizadas as medidas do seu maior diâmetro e, no caso de mais de uma úlcera, somente a úlcera com maior diâmetro foi considerada.

Os pacientes incluídos responderam a dois questionários: o Aberdeen Varicose Vein Questionare (AVVQ) e o Venous Clinical Severity Score (VCSS). O primeiro avalia a qualidade de vida e o segundo avalia a evolução clínica de pacientes portadores de DVC dos membros inferiores.

Os questionários foram aplicados no dia da realização do primeiro procedimento de escleroterapia com espuma (T0) e 90 dias após (T90).

No questionário AVVQ, duas variáveis categóricas foram utilizadas: Interferência das varizes nas atividades trabalho/diárias (IDVATD) e Interferência das varizes nas atividades de laser (IDVAL). Cada resposta recebeu uma pontuação numérica crescente de acordo com o prejuízo nessas atividades (tabela 2) e, então, obtido um escore de cada variável e um escore com a soma da pontuação das duas variáveis (escore total do AVVQ).

Tabela 2 – Variáveis categóricas do questionário de qualidade de vida AVVQ.

Variável Prejuízo
  Ausente Ligeiro Moderado Impedido
IDVATD 1 2 3 4
IDVAL 1 2 3 4


Tabela 3 – Variáveis categóricas do questionário de evolução da doença VCSS.
 No VCSS, foram analisados os seguintes elementos: dor, edema, tamanho da úlcera e tempo de duração da úlcera. Os elementos foram pontuados numericamente de forma crescente de acordo com o quadro clínico, sendo possível obter um escore de cada variável e um escore com a soma da pontuação de todas as variáveis (escore total VCSS), como demonstrado na tabela 3.

Variável Quadro clínico
Dor 0 = sem dor 1= com dor
Edema 0 = sem edema 1 = com edema
Tamanho da úlcera 1 = ausente 2 = D até 6 cm 3= D* > 6 cm
Duração da úlcera 1= ausente 2 = < 3 m 3 = 3-12 m 4 = > 12 m

*D = diâmetro, m = meses

Desta forma, foi possível comparar os escores de cada variável individualmente e os escores dos questionários entre T0 e T90. Foi realizada a comparação do escore AVVQ e VCSS entre T0 e T90 para os dois grupos e foi feita a comparação em relação a eles. Também foi feita a comparação de cada variável categórica entre T0 e T90 para cada grupo e a comparação em relação a eles.

Ambos os grupos foram submetidos à escleroterapia ecoguiada com espuma e continuaram o tratamento clínico com uso de diosmina, hesperidina e meias elásticas. Apenas um grupo foi submetido à utilização da bota de Unna e todos os pacientes foram reavaliados semanalmente até completar o período de 90 dias.

Com o paciente em decúbito horizontal, é realizada a punção da veia alvo dorsal ou ventral, de acordo com a veia a ser tratada, sempre com o eco Doppler, que além de auxiliar a punção, acompanha o trajeto da espuma durante a sua injeção até que se observe o espasmo do segmento venoso alvo do tratamento. A proporção da mistura e a concentração do esclerosante podem variar de acordo com a veia a ser tratada e ao seu diâmetro (tabela 4).

A produção da espuma é de baixo custo. Utiliza-se duas seringas vinculadas a uma torneira de três vias, mistura-se 4 ml de ar e 1 ml de esclerosante líquido e, em seguida, a mistura é transferida entre uma seringa para outra de maneira alternada por no mínimo 20 vezes, produzindo uma combinação estável e homogênea de espuma.

O esclerosante utilizado para a confecção da espuma foi o polidocanol, também conhecido como Aethoxysklerol. Trata-se de um detergente e, atualmente, é o agente mais utilizado no mundo para a realização da escleroterapia com espuma. A sua injeção é indolor, segura e possui baixo risco de causar necrose tecidual em baixas concentrações. Pode causar hiperpigmentação e tem um risco muito baixo de provocar reações alérgicas ou anafiláticas. O polidocanol destrói o endotélio vascular pela desnaturação das proteínas da superfície celular e o objetivo é provocar a fibrose do vaso tratado. A dose máxima recomendada para o adulto é de 10 ml por sessão sempre guiada pelo ultrassom e cada sessão é realizada a cada 15 dias. O resultado imediato esperado do tratamento é a observação de vasoespasmo pelo US, na veia alvo e, no caso de a veia safena ser o vaso a ser tratado, a injeção do poplidocanol é suspensa quando a espuma atinge a distância de 3-5 cm da junção com o sistema venoso profundo.

O procedimento gera certo desconforto, porém é bem tolerado pelos pacientes.                                   

O paciente deve permanecer deitado por 5-10 minutos, a fim de evitar as contrações musculares indesejadas e que provocam a migração de uma quantidade desnecessária da espuma para o sistema venoso profundo. Após esse período, foram realizados o curativo e a compressão com o dispositivo de terapia compressiva utilizado por cada grupo, só então o paciente deixa a maca e deve deambular por no mínimo 20 minutos, no perímetro de onde realizou o procedimento para que se possa observar possíveis reações adversas.

O grupo denominado SBU foi submetido a escleroterapia ecoguiada com espuma, tratamento clínico com utilização de flebotônico (diosmina e hesperidina) e elastocompressão com meia elástica 7/8, com compressão de 35 mmHg por 48 horas ininterruptas após a realização da escleroterapia com espuma. Após esse período, os pacientes utilizaram meia elástica 7/8, com compressão de 20-30 mmHg durante o dia por tempo indefinido. O curativo da UVC foi feito através da higienização com soro fisiológico 0,9 % em jato produzido por agulha 40×12 mm e aplicação de uma fina camada de vaselina líquida imediatamente após o procedimento e diariamente a partir do terceiro dia.

O grupo BU foi submetido ao mesmo tratamento do grupo anterior, porém no lugar do curativo com vaselina, foi utilizado curativo com bota de Unna aplicado diretamente sobre a úlcera após ser higienizada de maneira similar ao outro grupo. Sobre o curativo com bota de Unna, foi colocada uma meia 7/8 com compressão de 35 mmHg, que permaneceu por 48 horas ininterruptas. A partir do terceiro dia o paciente utilizou uma meia 7/8, com compressão de 20-30 mmHg somente durante o dia e por tempo indefinido.

Para o tratamento clínico medicamentoso em ambos os grupos, foi utilizado a diosmina 450 mg e hesperidina 50 mg, duas vezes ao dia durante todo o tratamento. Nenhum efeito adverso foi observado, assim como nenhuma reação alérgica.

Os materiais utilizados foram: polidocanol em ampolas de 2,0 ml nas concentrações de 3%, 2% e 1%, seringas de 3 ml e de 5 ml, sistema de conexão entre duas seringas (sistema de conexão de três vias) , extensofix de 20 cm, scalp 25 G, cateter venoso 16 G, bota de Unna de 10 cm de largura, meia elástica 7/8 com 35 mmHg de compressão, meia elástica 7/8 com 20 – 30 mmHg  de compressão, solução fisiológica 0,9 % e vaselina líquida.

Tabela 4 – Concentração do polidocanol de acordo com a veia alvo.

  Safena interna Safena externa Tributárias       Perforante           Polidocanol
  < 5 mm < 5 mm Todas ———– 1%
D* 5-7 mm >5 mm ———– Todas 2%
  >7 mm ———- ———– ———— 3%

*D – diâmetro da veia

Sete dias após o procedimento com espuma, os pacientes retornaram para observar o sucesso ou não do tratamento com a escleroterapia e a presença de alguma complicação ou efeito adverso. Foi realizada a drenagem por aspiração de esclerus nos casos em que foi necessária. No caso de insucesso, nova escleroterapia foi realizada quinzenalmente até obtenção do resultado desejado.

Foi considerado sucesso do tratamento quando a veia tratada estivesse ocluída, ou pérvia com refluxo < 0,5 segundos. A avaliação do refluxo foi feita por eco color Doppler venoso antes de cada procedimento.

2.3. Estatística

Para análise dos dados, foram utilizadas técnicas de estatística exploratória que permitiram uma melhor visualização das características gerais dos dados.

Os dados foram apresentados em tabelas de frequência com as frequências absolutas e suas respectivas porcentagens.

As variáveis VCSS e AVVQ foram testadas quanto à Normalidade pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Como apresentou distribuição normal foi comparada pelo teste T de Student.

A comparação das variáveis categóricas e a variável Grupo (BU e SBU) foi feita pelo Teste Qui-Quadrado e, quando necessário, o Teste de Fisher e simulação de Monte Carlo (MMC).

Em todos os testes, o nível de significância adotado foi 5%, portanto foram consideradas significativas comparações cujo valor p foi inferior ou igual a 5%.

O software utilizado para as análises foi SPSS versão 20.0.

  1. RESULTADOS

Tanto o escore AVVQ quanto o VCSS apresentaram melhora significativa 90 dias após o início do tratamento para ambos os grupos.

O escore médio AVVQ no início do tratamento para o grupo SBU foi de 62,9 e de 41,6 após 90 dias, p < 0,001. No grupo BU, esse escore inicial foi de 57,2 e depois de 90 dias 39,2, p < 0,001.

O VCSS apresentou escore médio de 18 no início do tratamento para o grupo SBU e reduziu para 12,2 90 dias após intervenção, p<0,001. Representando queda de 32,2 % do escore médio.

Houve redução significativa também para o grupo BU, de 17,8 para 11,1, p<0,001 (tabela 5). Representando queda de 37,64% do escore médio.

Tabela 5 – Comparação do escore Aberdeen e VCSS com T0 e T90 para os grupos BU e SBU

Tabela 7: Comparação do tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, IDVTDAD, IDVAL, edema e dor em relação aos grupos BU e SBU, T90 dias após tratamento.
Os fatores que influenciam a terapia compressiva podem ser explicados pela lei de Laplace. Essa lei estabelece que a pressão sub bandagem é determinada pela tensão do dispositivo aplicado, multiplicada por uma constante, dividido pela circunferência do membro6,17.O que define a eficácia de um dispositivo de compressão é o aumento da pressão sub bandagem que se trata da pressão entre o dispositivo e a pele do paciente. Quanto maior essa pressão, melhor será o efeito sobre o sistema venoso17.A utilização da terapia compressiva após a realização de procedimentos no sistema venoso superficial mantém a veia tratada ocluída, previne sua recanalização e a formação de hematomas4,23.O tratamento da UVC é complexo, demanda tempo e um grande número de pessoas envolvidas, como a equipe médica, enfermeiros e agentes sociais. A primeira linha de tratamento é a terapia compressiva, que é responsável pelo sucesso na cicatrização da ferida além de prevenir a sua recidiva6. No entanto, não existe consenso de que tipo de terapia compressiva é mais eficaz após o tratamento do sistema venoso superficial.Entre as técnicas citadas, a mais barata e de execução mais simples é, sem dúvida, a escleroterapia ecoguiada com espuma, que comprovou ser um método eficaz, seguro e com baixos índices de complicações28.DISCUSSÃOEm relação à comparação das variáveis tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, Interferência das varizes ao realizar trabalho doméstico ou atividades diárias (IDVTAD), Interferência das varizes ao realizar atividades de lazer (IDVAL), Edema e Dor no T0 e T90 para o grupo SBU, após 90 dias de tratamento, todos os parâmetros avaliados melhoraram.

Tabela 6 – Comparação dos escores Aberdeen e VCSS nos tempos T0 e T90 em relação aos Grupos BU e SBU.

Variáveis Grupo N Média Desvio padrão Diferença Média IC 95% Valor p
Aberdeen T0 Sem bota 47 62,9 19,7 5,7 -1,5 12,8 0,120
Com bota 47 57,2 15,0
Aberdeen T90 Sem bota 47 41,6 20,3 2,4 -5,2 9,9 0,532
Com bota 47 39,2 16,3
VCSS T0 Sem bota 47 18,0 2,6 0,2 -1,1 1,5 0,769
Com bota 47 17,8 3,6
VCSS T90 Sem bota 47 12,2 6,3 1,1 -1,6 3,7 0,419
Com bota 47 11,1 6,6
Nota: Teste T de Student              

Em relação à comparação das variáveis tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, Interferência das varizes ao realizar trabalho doméstico ou atividades diárias (IDVTAD), Interferência das varizes ao realizar atividades de lazer (IDVAL), Edema e Dor no T0 e T90 para o grupo SBU, após 90 dias de tratamento, todos os parâmetros avaliados melhoraram.

Em relação às variáveis tamanho da úlcera e tempo de duração da úlcera, a melhora clínica, após o início do tratamento, foi significativa, assim como a proporção de edema, p < 0,001.

Dos 11 pacientes, cujo tempo de úlcera era de 3 a 12 meses no T0, 4 (36,4%) se tornaram ausentes, p < 0,001, e dos 36 que apresentavam úlceras há mais de 12 meses, 10 (27,8%) se tornaram ausentes 90 dias após o início do tratamento, p < 0,001.

Quanto ao tamanho da lesão, dos 21 pacientes que tinham lesão maior que 6 cm, 4 (19%) se tornaram ausentes e 7 (33,3%) diminuíram para até 6 cm, p < 0,001.

A interferência das varizes nas atividades diárias e lazer também diminuíram de intensidade ou se tornaram ausentes após 90 dias de tratamento, p < 0,001. 

Para os 41 que apresentaram edema no T0, 27 (65,9%) deixaram de ter 90 dias após tratamento, p < 0,001.

Para a dor, dos 33 que apresentaram dor no início do tratamento, 14 (42,4%) deixaram de ter após 90 dias, p < 0,001.

Em relação à comparação das variáveis tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, IDVTDAD, IDVAL, edema e dor nos tempos T0 e T90 para o grupo BU, após 90 dias de tratamento, em relação à avaliação da variável tempo de duração da úlcera,  houve uma melhora significativa após o início do tratamento, assim como a avaliação da variável tamanho da úlcera, a variável edema e dor, p < 0,001. Vale ressaltar que dos 39 pacientes que tinham edema no início do tratamento, 28 (71,8%) deixaram de ter 90 dias depois e dos 30 que apresentaram dor, 22 (73,3%) deixaram de ter após os 90 dias de espuma, p < 0,001.

Já a interferência das varizes nas atividades diárias e de lazer, não apresentou diferença estatisticamente significativa após 90 dias de tratamento. Alguns pacientes aumentaram o grau de interferência das varizes nas atividades diárias e de lazer. Dos 13 pacientes que no T0 tinham ligeiro/moderado prejuízo das atividades diárias, 3 (23,1%) passaram a ter impedimento de tais atividades 90 dias depois do tratamento, p=0,214. Dos 7 pacientes que não tinha prejuízo de atividades relacionadas ao lazer no T0 (IDVAL), 2 (28,6%) passaram a ter ligeiro/moderado prejuízo ou impedimento das atividades de lazer no T90, p = 0,099.

Comparando os dois grupos quanto a variável tempo de duração da úlcera, no grupo BU, 20 pacientes (42,9%) tiveram a úlcera cicatrizada, e no grupo SBU 16 pacientes (34,0%), p= 0,697. Nos tempos (3 a 12 meses e mais de 12 meses), as proporções dos dois grupos foram bem semelhantes, portanto, independentemente do tempo de duração da úlcera não houve diferença significativa, p = 0,434.

Para a variável tamanho da úlcera, 20 pacientes (42,6%) ficaram sem úlcera no grupo BU e 16 pacientes (34%) no grupo SBU. Nos tamanhos até 6 cm e > 6 cm, as proporções dos grupos também foram bem semelhantes, comprovando que independentemente do tamanho da úlcera não há diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos, p=0,695.

A interferência das varizes nas atividades diárias e no lazer apresentaram proporções semelhantes com discreta superioridade de ausência de impedimento nas atividades para o grupo SBU, porém sem significância estatística, p = 0,145 e p = 0,410, respectivamente. A proporção de edema foi igual em ambos grupos (28,9%), p = 1,000. Em relação à dor, o grupo SBU apresentou maior proporção (34%), comparado ao grupo BU (19,1%), porém sem diferença estatisticamente significativa, p = 0,102 (tabela 7).

Tabela 7: Comparação do tempo de duração da úlcera, tamanho da úlcera, IDVTDAD, IDVAL, edema e dor em relação aos grupos BU e SBU, T90 dias após tratamento.

  1. CONCLUSÃO

A utilização da bota de Unna para o tratamento da úlcera venosa crônica dos membros inferiores, após escleroterapia ecoguiada com espuma, demonstrou melhora estatisticamente significativa nas variáveis categóricas de qualidade de vida e de evolução clínica nos pacientes com UVC.

Mesmo sendo um período de apenas 90 dias, observamos uma taxa de cicatrização de 42,6% das lesões nestes pacientes, independentemente do tempo de duração e/ou do tamanho da úlcera. Além disso, 71,8 % dos pacientes que utilizaram bota de Unna deixaram de apresentar edema e 73,3 % deixaram de apresentar dor após 90 dias do início do tratamento, demonstrando os efeitos benéficos importantes da utilização bota de Unna no paciente submetido à escleroterapia ecoguiada com espuma, portador de UVC dos membros inferiores.

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