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Varizes na panturrilha e diferentes fontes de refluxo

*Dr. Clovis Bordini Racy Filho, ecografista vascular – SBACV/RJ, Clínica Clovis Bordini de Ecografia Vascular e Serviço de Cirurgia Vascular HUPE/UERJ

 

Nesta edição, apresento três casos em que ectoscopicamente são evidenciadas varizes na panturrilha, sem relação com a safena magna, em que a ecografia vascular nos revela a real fonte desta insuficiência venosa, muitas vezes com origem inusitada e bem distante do que os olhos veem.

O primeiro caso é de insuficiência clássica da safena parva, com ectasia e refluxo significativo, desde a junção safeno-poplítea, até ser transferido para tributária insuficiente que “alimenta” as formações varicosas.

É muito importante o detalhamento anatômico da junção safeno-poplítea insuficiente, informando diâmetros, sua altura em relação à linha articular do joelho, a existência ou não de tronco comum com a veia gastrocnêmia, assim como a presença de extensão cranial e/ou veia de Giacomini.

 

O segundo caso também compromete a safena parva. Entretanto, a origem do refluxo é pélvica, propagando-se para o membro inferior por ponto de fuga através de varizes oriundas da região glúteo-perineal. Estas varizes convergem para a veia de Giacomini, que se estende ectasiada e com refluxo significativo ao longo da coxa posterior. No oco poplíteo, esse refluxo tem continuidade pela safena parva, estando a junção safeno-poplítea preservada. A safena parva segue ectasiada e insuficiente até seu refluxo ser definitivamente transferido para tributária varicosa, que logo drena por perfurante.

 

O último caso tem como fonte do refluxo as varizes em plano muscular ao longo da coxa posterior, acompanhando o nervo isquiático até o oco poplíteo.

A partir daí, duas situações são apresentadas. Na primeira, as varizes seguem com aspecto troncular no trajeto dos nervos tibial, cutâneo sural medial e sural.

Na outra, seguem acompanhando o nervo fibular comum, cutâneo sural lateral e o ramo fibular comunicante. Deste último, as varizes dispersam-se pelos planos subfascial, fascial e superficial, sendo neste a única manifestação ectoscópica de uma sintomatologia que se propaga por toda a face posterior do membro inferior, especialmente pela intimidade anatômica com as estruturas nervosas.

 

Nos casos apresentados, fica demonstrada a importância da ecografia vascular como ferramenta de apoio diagnóstico à Angiologia e Cirurgia Vascular, identificando a origem do refluxo e oferecendo informações que permitam a escolha da conduta mais apropriada a ser adotada para cada situação específica.