SBACV-RJ

Especialista comenta sobre varizes e a ineficácia de alguns tratamentos existentes no mercado

Almar Bastos, presidente da SBACV-RJ, alerta sobre o perigo de se enganar com tratamentos paliativos 

Dores nas pernas, queimação e cansaço excessivo nos pés e tornozelos podem ser indicadores de que existem as temidas varizes no corpo. Engana-se quem considera que tratar varizes é apenas por uma razão estética, pelo contrário, é uma questão de qualidade de vida. As varizes nada mais são do que veias dilatadas que, devido a perda de elasticidade e do funcionamento das válvulas, que controlam o fluxo sanguíneo, permaneceram com o sangue acumulado em apenas um local. 

O corpo humano possui, por toda a sua extensão, vasos que irrigam seus órgãos, células e garantem o seu funcionamento. Isso ocorre através do sangue, que é bombeado pelo coração e precisa retornar a ele através do mecanismo chamado de circulação. O processo de chegada até as pernas e pés é fácil e feito com o auxílio da própria gravidade, entretanto, o retorno ao coração demanda mais esforço e é justamente nesse processo que ocorrem os acúmulos, as válvulas que evitam que o sangue “caia” novamente para os pés se desgastam e uma porção agrupada acaba gerando uma dilatação incomum na área provocando a formação das varizes.

Segundo estudos realizados pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), cerca de 38% dos adultos convivem com elas, sendo mais expressiva no público feminino, em que 45% possuem essa condição. Fatores como idade, sexo, prática de atividade física, histórico familiar, tabagismo, gravidez, obesidade e reposições hormonais influenciam no aparecimento do quadro e podem fazê-lo evoluir de maneira mais acentuada. 

Com a disseminação da quantidade de casos devido ao estilo de vida menos ativo adotado durante o isolamento social, tem se tornado cada vez mais comum pessoas com varizes e, paralelo a isso, o surgimento de cremes, gel e pomadas milagrosas capazes de curar tal diagnóstico. Entretanto, vale ressaltar que essa não é a maneira indicada pelos especialistas, como afirma o Dr. Almar Bastos, presidente da SBACV-RJ. “Em casos severos, podemos observar constantes dores e desconfortos que atrapalham na execução de atividades cotidianas provocando, até mesmo, queda no nível de energia. O surgimento de feridas,  chamadas de úlceras, também aparecem devido a falta de oxigenação adequada na área, provocando uma má irrigação da pele tornando-a mais frágil”, ressalta Bastos. 

O acúmulo do sangue também acarreta em problemas, uma coloração avermelhada provocada pela liberação de um pigmento rico em ferro na região, normalmente aparece nos tornozelos e parte inferior da canela. Em casos mais graves a insuficiência venosa, a incapacidade de bombeamento do sangue,  observa-se a doença venosa crônica. Em todas essas situações, somente o acompanhamento com um angiologista poderá diagnosticar e indicar o tratamento eficaz e individualizado capaz de auxiliar. 

O presidente da SBACV-RJ salienta que o melhor tratamento sempre é a prevenção. Pequenos cuidados no dia a dia podem ser o fator diferencial para um diagnóstico positivo no futuro. Recomenda-se evitar ficar muito tempo em uma mesma posição, seja sentado ou em pé, praticar atividade física regularmente para estimular que o sangue seja bombeado com mais força, após um dia exaustivo colocar as pernas um pouco mais elevadas para auxiliar na circulação e em mulheres, evitar a utilização de sapatos com salto alto todos os dias e avaliar, junto ao seu ginecologista, a utilização de pílulas anticoncepcionais. 

Fonte: Rio Notícias e O Dia News